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Convenção Secovi debate os rumos das cidades e as necessárias mudanças culturais


Cidades democráticas são aquelas que atendem a todos, sejam pobres ou ricos

O colombiano Enrique Peñalosa é conhecido por defender ideais de igualdade e desenvolver projetos audaciosos voltados às pessoas. Em meio à campanha política para a prefeitura de Bogotá – cargo que já ocupou em 1998 –, o urbanista veio ao Brasil e participou no dia 1º de setembro do Fórum Urbanístico Internacional durante a Convenção Secovi 2015.

No painel “As pessoas como parte das soluções dos problemas urbanos”, Peñalosa lembrou que não é simples discutir os rumos das cidades, pois esse debate envolve planejamento, mudança de vida e de comportamento. “Em uma boa cidade, ricos e pobres se encontram nas ruas e nos transportes públicos. Jovens, velhos e crianças convivem. Os conceitos ideológicos de igualdade são vivenciados nos parques, na cultura e na educação.”

Para ele, as cidades estão erradas, porque as pessoas se acostumaram com a violência e o risco de morte, fatos que parecem normais. “O shopping como substituto dos espaços públicos é um sintoma de doença. A organização, limpeza e luminosidade desses locais são as mesmas que as pessoas querem nas ruas”, disse Peñalosa.

Ruas – Quando prefeito, Peñalosa transformou Bogotá em uma nova cidade, com espaços para ciclistas e pedestres. “Não há manual que dê ao poder público a responsabilidade de garantir vagas de estacionamento. Ele precisa, sim, prover calçadas largas e garantir espaços a todos. Isso é democracia”, ressaltou.

Questionado sobre as ciclovias implantadas na cidade de São Paulo pelo prefeito Fernando Haddad, Peñalosa respondeu: “Não as vi e não posso dizer que são boas ou não. É um direito (do prefeito) fazer as ciclovias e pensar em bicicletas é assunto sério. Em Bogotá, 500 mil pessoas usam bicicletas. Na Holanda, 40% das pessoas usam bicicleta. As ciclovias dão importância democrática ao transporte”.

Ele sugeriu que se adote, em São Paulo, um dia sem carro. Também, que os ônibus recebam parte dos espaços dos carros para deslocamento exclusivo, pelo simples motivo de carregarem mais pessoas.

Carros – Peñalosa disse que o uso do carro deve ser restrito, não a sua posse. “Ricos e pobres devem usar transporte público e esse é um problema de vocês”, disse ao público.

Na avaliação do urbanista, mais importante do que discutir a altura dos prédios é debater o que acontecerá no térreo dos edifícios. “Deve haver uma boa relação entre o privado e o público, com o uso de escadas, lojas e boas calçadas. Quanto mais alto o prédio, melhor tem de ser usado o térreo”, recomendou.

Peñalosa disse que novas ideias podem parecer loucas no início. “Nesse momento, lembro de uma frase de Gandhi: Primeiro eles te ignoram, depois riem, depois brigam, e então você vence”.

Este painel foi coordenado por João Crestana, presidente do Conselho Consultivo do Secovi-SP, e contou com as participações de Carlos Leite, arquiteto e professor da Universidade Mackenzie, e do engenheiro Miguel Bucalem, que foi secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e presidente da SP Urbanismo na gestão de Gilberto Kassab.

Autor: shirley valentin

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