Convenção Secovi: oportunidades e desafios da Copa de 2014
Caio Calfat e Solange Yamakawa apontaram os principais problemas e benefícios que poderão ser trazidos pelo torneio em especial em São Paulo e, especificamente, na região de Itaquera
19/09/2011
Mais do que estádios de futebol e obras de infraestrutura, a Copa do Mundo de 2014 vai exigir investimentos em diversos segmentos do setor imobiliário brasileiro, inclusive no segmento hoteleiro.
A conclusão é do consultor Caio Calfat, coordenador do Núcleo Imobiliário-Turístico e Hoteleiro do Secovi-SP, que ministrou palestra no painel Oportunidades da Copa de 2014, na Convenção Secovi 2011, evento promovido pelo Sindicato até a próxima quarta-feira, 21/9, na sede da entidade.
Segundo ele, a maioria das cidades, por exemplo, precisará ampliar a rede hoteleira. A exceção é São Paulo, a única das 12 cidades-sedes que atende aos requisitos da Fifa. “Temos 42 mil quartos de hotel em 400 prédios, dos quais 19 mil são flats que foram construídos a partir de 1994”, informou o consultor.
Na avaliação dele, “o Rio de Janeiro vai ter que renovar toda sua rede hoteleira, que é muito antiga e está degradada”, exemplificou. Por outro lado, Calfat destacou que o Rio está melhor preparado para os Jogos Olímpicos de 2016 com reurbanização da zona portuária e implantação da vila olímpica na Barra da Tijuca.
“Megaeventos como esses ajudam a acelerar decisões”, disse, referindo-se às obras de infraestrutura como Rodoanel e linhas ferroviárias anunciadas pelo governo do Estado de São Paulo.
Calfat disse ainda que São Paulo precisa construir novos empreendimentos hoteleiros, mas não por causa da Copa 2014. “Já começa a faltar hotel para atender a demanda da cidade que recebe cerca de 11 mil visitantes por ano. São Paulo tem uma Copa do Mundo todo dia”, brincou, referindo-se aos 60 mil eventos que são realizados diariamente na capital paulista.
Pontos negativos - Sobre os problemas que devem enfrentados, ele relacionou grande número de eventos existente, rede de transporte público insuficiente, aeroportos obsoletos, alto custo de hospedagem, alimentação, locação comercial, entre outras.
“Além disso, o futuro estádio – Fielzão – está localizado em um local ermo, de difícil acesso e sem gerador de demanda para um parque hoteleiro”, afirmou Calfat.
A empresária Solange Yamakawa, da Yamakawa Empreendimentos Imobiliários, discordou da opinião do dirigente. Para ela, a região de Itaquera vive um momento favorável.
“A zona Leste tem grande potencial, principalmente, pela ascensão das classes C, D e E, e ainda facilidade de acesso pela avenida Jacu-Pêssego e interligação com Rodoanel, Aeroporto de Cumbica e Porto de Santos”, afirmou Solange, que demonstrou preocupação com relação à supervalorização dos imóveis na região.
“Com o anúncio da construção do estádio, os proprietários está fazendo por conta própria a valorização dos seus imóveis e praticando preços incompatíveis com o do mercado”, disparou a empresário, ponderando que a Copa vai terminar e é preciso deixar um legado positivo.
Legado - “Nós não teremos uma segunda chance para causar uma boa impressão”, afirmou. “Não queremos que aconteça o que ocorreu na África do Sul, que herdou estádios com alto custo de manutenção. Cabe a nós brasileiros definirmos a imagem queremos deixar”, afirmou, acrescentando que “é necessário ter uma visão holística, analisando os erros e acertos dos outros para que os pontos positivos sejam efetivados”.
Solange não acredita que a abertura da Copa seja realizada no Fielzão, mas sim em Brasília, cujas obras estão mais adiantadas.