História do centro de São Paulo emociona visitantes
Passeio promovido por Secovi-SP e Capítulo Brasileiro do IREM (Institute of Real Estate Management) ao centro histórico da Capital reuniu mais de 30 pessoas no domingo, 18/9
19/09/2011
A “Caminhada ao Centro Histórico” foi a primeira atividade cultural da edição 2011 da Convenção Secovi, e contou com a promoção do Capítulo Brasileiro do IREM (Institute of Real Estate Management), presidido por Fernanda Lisboa.
A visita às principais igrejas da região central de São Paulo foi coordenada por Paulo Assunção, professor-doutor em História Social pela Universidade de São Paulo. Para um grupo de mais de 30 pessoas, o especialista contou detalhes desconhecidos da história brasileira.
O passeio, realizado no domingo, 18/9, teve como ponto de partida a Igreja do Carmo. De estilo barroco, as imagens e os detalhes arquitetônicos do local não apresentam a delicadeza das obras europeias. “São Paulo era muito pobre e os religiosos e artistas não eram tão bons em termos arquitetônicos”, explicou Assunção.
O professor relatou que, no século 19, próximo à igreja do Carmo, muitas crianças eram abandonadas no coxo dos cavalos, e depois encaminhadas à Casa de Misericórdia, mais tarde convertida em Hospital Santa Casa de Misericórdia.
Cemitério – Os sepultamentos na cidade de São Paulo eram feitos nos chãos das igrejas, e para disfarçar os odores desagradáveis, os padres usavam incensos em grande quantidade. Também não havia bancos e as pessoas levavam seus tapetes para assistir às missas.
O primeiro cemitério da cidade funcionava na rua dos Estudantes, no bairro da Liberdade, e somente em 1850, com a construção do Cemitério da Consolação, proibiu-se a realização de sepultamentos no centro da cidade. Também próximo à Praça da Liberdade funcionava o pelourinho, onde os condenados eram açoitados antes de serem encaminhados à cadeia, localizada no andar térreo da então Câmara dos Vereadores.
Curiosidades como essas foram apreciadas pelos participantes, que aproveitaram o domingo ensolarado para fotografar a cidade. “Maravilhoso esse passeio! A nossa cultura se perderá ao longo do tempo se não houver investimento na manutenção desse patrimônio. O Secovi está de parabéns pela iniciativa, que se perpetue e não se resuma a um projeto”, opinou Zuleide Rosa Moura de Andrade, da Administradora Directa.
Zuleide se disse bastante emocionada, porque a caminhada lhe permitiu vivenciar a história. “É como se eu me transportasse para aquele momento. Senti uma grande emoção. Uma excelente oportunidade de lazer e cultura.”
Para Claudio Menezes Senna, arquiteto integrante da Comissão de Política Urbana da Associação Comercial de São Paulo, a iniciativa é bastante interessante. “Gostaria de participar de um passeio que mostrasse o crescimento da cidade em termos de gerenciamento, arquitetura e urbanismo.”
Cultura nas ruas – Luis Barbé de la Peña, que desembarcou às 5 horas em Guarulhos, vindo de Madri, e que mesmo assim foi para o evento, disse que não basta conhecer a arquitetura do local. “O conhecimento oculto das construções e edifícios é o que forma cultura. Conheço a história da Espanha e de Portugal, país que admiro muito, e vê-la refletida na história brasileira é muito interessante”, declarou. Comuns na Europa, esses passeios são econômicos, “mas ricos em cultura”, analisou Peña, acrescentando que “são muito melhores do que o turismo de pedra.”
Os irmãos Mara Regina Ferrari Puttini Paixão e Marco Alexandre Ferrari Puttini, da empresa Porto da Represa, de Jundiaí, não conheciam todas as áreas visitadas e consideram importante esse tipo de iniciativa para valorizar a história. “Alguns prédios estão abandonados historicamente, e a preservação traz conhecimento cultural e renda”, opinou Marco Alexandre.
A “Caminhada ao Centro Histórico” percorreu as igrejas do Carmo, de Nossa Senhora da Boa Morte, a Capela de Santa Luzia, a igreja de São Gonçalo, a Catedral da Sé, a Casa da Marquesa, o Pátio do Colégio e os Largos São Bento e São Francisco.