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Na Convenção Secovi, especialistas apresentam inovações que geram mudanças


Mauro Segura e Gil Giardelli participaram do painel de encerramento, dia 31/8, e revelaram produtos, serviços e ideias que estão transformando a vida das pessoas

Drones, realidade virtual, impressora 3D, carro autônomo, robotização, entre outras inovações que já estão em desenvolvimento pelo mundo, foram apresentadas pelos especialistas Mauro Segura e Gil Giardelli no painel “E-agora? A era das novas realidades e a inovação que gera mudança”, que encerrou a Convenção Secovi, dia 31/8, na sede do Sindicato.

“Estamos diante de uma acúmulo de tecnologias, que se combinam e viram negócios. Mobilidade, análise de dados, internet das coisas, inteligência artificial”, afirmou Mauro Segura, diretor de marketing, comunicação e cidadania corporativa da IBM Brasil. Ele mostrou o papel decisivo da tecnologia nos últimos 30 anos, remontando à chegada do computador pessoal na década de 1980 e das redes sociais em 2004, fatores que mudaram a vida das pessoas.

“Temos um tsunami de tecnologias chegando e o surgimento de novos modelos de negócios”, disse. “Em 2027, 10% do que vamos consumir no mundo será impresso em 3D. Já há robôs que conversam com as crianças”, revelou, mostrando o vídeo de um brinquedo inteligente, conhecido no Brasil como Dino, que foi escolhido nos Estados Unidos como um dos 20 produtos mais inovadores lançados em 2015. “Nos próximos anos, teremos assistentes virtuais, que vão nos ajudar a responder questões ligadas à nossa profissão. Teremos ‘Dinos’ especializados em medicina, construção civil e em outras áreas, que trarão todo esse conhecimento espalhado pela rede para nós e, ainda, darão diagnósticos.”

Ao falar do carro autônomo, Segura afirmou que, em breve, haverá leis que vão proibir as pessoas de dirigirem. “O número de acidentes vai diminuir drasticamente e a indústria de seguros pode desaparecer. Os nossos filhos não terão carteira de habilitação. Tem uma revolução tremenda vindo por aí”, anunciou, mencionando ainda as inovações nas áreas de educação e medicina. “As aulas serão por meio de games. O professor será mediador e as apostilas serão baixadas por aplicativo.”

A medicina será focada na prevenção da doença e não no tratamento. “Nós vamos usar pequenas, tatuagens que vão liberar as drogas de acordo com a necessidade”, adiantou Segura, acrescentando que já estão em desenvolvimento tatuagens inteligentes, que vão permitir interação com equipamentos, captarão energia do próprio corpo e mostrarão as nossas estatísticas vitais por meio do monitoramento de capacidade motora, taxa de glicemia, entre outros.

Desafios – Segundo ele, em pouco tempo, o mundo digital estará à frente do mundo físico. Já estamos vivendo a era da desintermediação, do conhecimento e conteúdo, da personalização, da automação e da canibalização e reinvenção das empresas. Segura afirmou que o maior desafio desta transformação não é a tecnologia nem a mente humana. São as organizações: empresas e governos.

“Continuamos trabalhamos como na época da Revolução Industrial, com hierarquia, divididos em departamentos e liderando da forma antiga. Temos as mesmas estruturas organizacionais que há 50 anos”, disse, apontando um outro desafio: as pessoas. “Somos seres humanos completamente diferentes de uma década atrás. Mas continuamos com cabeça de liderança antiga. Somos executivos dirigidos para controlar, lidar com prazos e responsabilidades. Não temos tempo para pensar. Existe uma barreira organizacional”, sentenciou.

Previsões – “Quatro entre dez empresas vão desaparecer por conta da revolução digital e 47% das profissões tendem a ser extintas ou a se transformar nos próximos anos. É tenso! Mas há muitas coisas legais. Vinte e cinco por cento da força de trabalho será on demand. As empresas vão contratar profissionais por job, para determinados projetos em determinado tempo.”

De acordo com Mauro Segura, as profissões necessárias no futuro não têm nada a ver com o que aprendemos na faculdade. “O profissional será uma combinação de expertises que as escolas de hoje não estão conseguindo formar”, disse o diretor da IBM, informando que já estão surgindo fazendeiros urbanos, que plantam produtos orgânicos para atender demandas locais. Outra tendência está ligada ao crescimento da população global. Segundo o executivo, chegar aos 100 anos será normal. “Vão surgir profissões ligadas à longevidade, como cuidadores e planejadores da terceira idade. Haverá, ainda, a explosão da internet das coisas, com casas superconectadas na próxima década. Teremos profissionais especializados em consertar esses equipamentos.”

O recado final de Segura foi sobre a necessidade de nos transformarmos como pessoas e como profissionais. “Dá medo e ansiedade. Isso paralisa a gente. Precisamos sair da zona de conforto. Essa agenda da transformação começa com cada um de nós. A mudança começa com pequenas coisas, como relacionar-se de forma diferente com as pessoas, ler coisas diferentes. Queira ou não, esse mundo do futuro vem”, avisou. “Seremos tragados ou vamos surfar neste tsunami?”, indagou, aconselhando: “Precisamos nos preparar.”

Quarta revolução – “Não precisamos ter medo da inovação”, disse o professor Gil Giardelli, web ativista e difusor de conceitos e atividades ligados à sociedade em rede. “O futuro já está acontecendo em uma garagem no Camboja, no Vale do Silício ou em uma grande empresa, como a IBM. O mais arrebatador é que já estamos conseguindo fazer a fusão dos mundos físico, digital e biológico.”

Segundo ele, a maioria das palavras que utilizamos hoje, como “indústria”, “classe média”, “engenharia”, “proletariado”, “jornalismo” pertencem a uma era que não cabe mais neste mundo. Desde a Revolução Industrial, os negócios eram baseados em competição. Agora, eles são colaborações entre setores diferentes.

Quando será a ruptura da terceira para quarta revolução?, perguntou Giardelli. Antes, a inovação demorava dez anos para acontecer. Hoje, em um ano, já mudou tudo. “Atualmente, quatrocentas pessoas no mundo têm a mesma ideia ao mesmo tempo e apenas três delas colocam em prática”, informou. E não importa a profissão que se tenha: engenheiro, advogado, tecnólogo ou comunicólogo. “Agora, você terá de ser arquiteto da inovação, e a inovação traz benefícios para todos. Estamos saindo do paradigma da escassez para a organização em rede.”

Giardelli disse que esta era não se baseia mais no modelo B2B (Business to Business) ou B2C (Business to Consumer), mas preconiza o Human to Human (H2H), que é o ser humano no centro de tudo. “Não se preocupem com o desemprego tecnológico. Para cada uma vaga de emprego fechada pela ruptura digital, abrem-se outras três para as pessoas. Na era das máquinas inteligentes, serão as ideias, a mente, os bytes e as interações que vão contar. O melhor do ser humano – moral e criatividade - ainda não foi afetado.”

Líderes inovadores digitais – Giardelli mostrou um dos dispositivos de realidade virtual que tem chamado a atenção: o Oculus Rift, desenvolvido por Palmer Luckey, que montou sua empresa e, em 2014, vendeu sua marca por US$ 2 bilhões para o Facebook. Segundo ele, 31% do lucro das grandes empresas são advindos de novos produtos. Às vezes, pensam que uma empresa está acabando quando, na verdade, ela está se reinventando, lembrando da febre do momento: o Pokemon Go. “Não podemos ignorar a inovação.”

Giardelli mostrou, ainda, uma placa, comprada por US$ 30, que permite a qualquer pessoa conectar sua casa. “É a internet de todas as coisas. São máquinas conversando com máquinas”, explicou, informando que, esta semana, os Estados Unidos regulamentaram o uso de drones, que já estão realizando serviços como entrega de remédios e acompanhamento de grandes obras.

Ele também mencionou os nano satélites, que serão lançados e fornecerão dados científico. Contou que, recentemente, encontrou o rapaz que criou óculos de realidade ampliada, com o qual é possível ir para a era paleolítica sem sair do lugar - ele vendeu o produto para o Facebook e ficou milionário. Outro relato foi de um professor de uma escola pública de Ubatuba, no litoral paulista, que engajou seus alunos na construção de um nano satélite. O projeto cresceu, ganhou reconhecimento e o grupo foi visitar a NASA.

Novas habilidades - “E como vocês, protagonistas deste mercado, podem utilizar e aplicar a inovação?”, questionou, propondo uma reflexão. Em seguida, apontou as dez novas habilidades necessárias nesta nova era: empatia com os outros, flexibilidade cognitiva, solução de problemas complexos, pensamento crítico, criatividade, gestão de pessoas, inteligência emocional, bom senso, orientação para serviços e negociação.

“Durante muito tempo, as empresas queriam pessoas com coeficiente de inteligência, depois passou a ser o da diversidade. Atualmente, as pessoas mais procuradas são aquelas com coeficiente espiritual. Não tem nada a ver com religião. Depois de 30 anos de pesquisa, foi descoberto um ponto dentro do cérebro, chamado de ‘ponto de Deus’”, revelou. “O que você está fazendo hoje, durante meia hora, que te dá prazer ou um propósito para sua vida?”, questionou, mostrando alguns exemplos de empresas que já estão inovando para melhorar a vida das pessoas.

“Um ser humano poderá ser substituído por robô. Mas um ser humano fabuloso vai realizar mudanças na vida. Que mundo fantástico nos aguarda! Tanta tecnologia é para colocar o homem no centro do mundo. Quando me perguntam se estou pronto, eu digo que não. O que sei é que os últimos 30 anos foram os mais fantásticos da minha vida”, finalizou Giardelli, dando boas-vindas “a um lugar que não existe mapa.”

Confira as fotos deste painel. 

Autor: Rosana Pinto

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