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Painel explora impactos do ambiente construído na qualidade de vida


O médico patologista Paulo Saldiva e o professor da Delft University of Technology Henk Visscher debateram o tema na Convenção Secovi

“Inovação e sustentabilidade como valor agregado aos imóveis residenciais” foi o tema abordado nesta terça-feira, 30/8, na Convenção Secovi 2016. O médico patologista e pesquisador brasileiro e da Universidade de Harvard (Departamento de Saúde Ambiental), Paulo Saldiva, falou sobre urbanidade e saúde humana. “Ambiência tem papel extraordinário na qualidade de vida. Um local bonito, agradável, melhora a pressão arterial e muda os níveis de cortisol”, afirmou.

Saldiva falou sobre a “Síndrome do Edifício Doente”, que apresenta dois lados. O sintomático, relacionado às emissões químicas no ambiente interno, onde as pessoas têm sintomas parecidos, como dor de cabeça, falta de concentração e enjoo. E o isolamento social, que exclui o indivíduo por não oferecer espaços de convívio.

As causas desse edifício doente são as mais diversas: ventilação ineficiente, compostos voláteis (provocados por carpete, por exemplo), luminosidade (falta de luz natural e excesso de luz artificial), isolamento acústico e térmico, e bioarossóis (pelos de animais, ácaros).

No âmbito social, integração é questão de sobrevivência, segundo pesquisa apresentada por Saldiva. “Manutenção das redes de afetos é o que mais reduz os índices de mortalidade”, afirmou, acrescentando que, além dos espaços de convívio nas edificações, as cidades devem favorecer o deslocamento das pessoas de casa para o trabalho, até os amigos e também a espaços de lazer. “O desafio da habitação hoje é fazer a cidade voltar a ser um ponto de encontro, com fluidez e que permita às pessoas terem qualidade de vida”, disse.

O professor da Delft University of Technology, Henk Visscher, compartilhou inovações adotadas na Holanda. A ênfase foi na eficiência energética, que no país é estimulada pela etiquetagem de edifícios, classificada de A a G – dependendo do nível de eficiência. “A etiqueta ajuda nos negócios. Se o seu prédio tem uma boa classificação, vende mais”, afirmou.

Um dos maiores investimentos praticados na Holanda é no isolamento térmico das edificações. “Economiza energia, reduz emissão de CO2 e eleva o nível de conforto”, enumerou. Uma das inovações é o painel pré-fabricado usado para “envelopar” o exterior da casa e proporcionar o isolamento térmico.

Nos debates, Paulo Saldiva comentou sobre o paradoxo do setor imobiliário: construir prédios que sejam integrados com a cidade, mas que ofereçam segurança. “A solução está na ocupação dos espaços 24 horas por dia. Comércio, praças, parques fazem as pessoas andarem mais. Chicago e Nova York são exemplos bem-sucedidos de reocupação pela recuperação da área central da cidade.”

A coordenação do painel ficou a cargo de Hamilton Leite e os debates foram moderados por Carlos Borges, vice-presidentes de Sustentabilidade e de Tecnologia e Qualidade do Secovi-SP, respectivamente.

Autor: Catarina Anderáos

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